VIABILIDADE
Viabilidade: como ler os resultados do simulador
O simulador devolve números estimados a partir de projetos reais. Entender o que eles significam — e o que não significam — é metade da decisão.
PUBLICADO EM 15 DE OUTUBRO DE 2026

Um número não é uma promessa
Antes de decidir o que fazer com uma área, é preciso responder a uma pergunta objetiva: esse empreendimento se paga? O simulador do site existe para dar a primeira resposta, em minutos, a partir de parâmetros médios de projetos que já saíram do papel.
A ferramenta parte de cinco informações simples: o tipo de empreendimento, a área, o valor do metro quadrado, a área de preservação e se o terreno é afastado da malha urbana. Com isso, calcula áreas vendáveis, número de lotes, custo de execução, VGV estimado e prazos. Os números não vêm de uma planilha teórica: vêm da média tabulada de empreendimentos reais, com margem declarada de mais ou menos 7%.
Ler o resultado exige entender sua natureza. Ele é uma estimativa, não um orçamento. Não há vínculo de certificação nem garantia de retorno. O que o simulador oferece é uma ordem de grandeza para a conversa começar — e uma forma de comparar cenários antes de contratar estudos específicos.
O que os números contam
O VGV estimado mostra o tamanho econômico do empreendimento. O número de lotes revela a escala urbana. A área vendável separa o que de fato vira produto do que permanece como via, área verde ou espaço institucional. O custo de execução indica quanto capital será necessário antes da receita. E os prazos ajudam a dimensionar a duração e o desembolso, sem prever a data das receitas.
Comparar cenários, portanto, é variar os dados que o simulador aceita: o tipo de empreendimento, a área total, o valor do metro quadrado, a APP informada e se a área é afastada da malha urbana. A distribuição entre lotes, vias e áreas comuns segue presets fixos, baseados em projetos reais. Mudar o tamanho dos lotes ou a proporção de área vendável exige um estudo técnico específico, não um ajuste no simulador.
A leitura correta junta os números com o contexto do terreno. Dois terrenos de área igual podem ter resultados muito diferentes conforme o acesso, a vizinhança e a infraestrutura disponível. O simulador não enxerga o que só a visita ao lugar revela — por isso ele conversa com o trabalho de campo, e não o substitui.
A simulação não decide pelo empreendedor. Ela mostra onde a decisão precisa ser tomada.
Da estimativa ao projeto
Ao longo de 23 anos, o grupo chegou a mais de 35 milhões de m² projetados e 30.944 lotes gerados, com empreendimentos que somam um VGV da ordem de R$ 5 bilhões. Essa base sustenta os parâmetros tabulados do simulador, cuja margem declarada de mais ou menos 7% é uma premissa de cálculo, e não uma precisão medida ou garantida.
O resultado do simulador é o começo do caminho, não o fim. A partir dele, faz sentido aprofundar estudos de masterplan, buscar o enquadramento urbanístico e desenhar o empreendimento com precisão. Quanto melhor a leitura dos primeiros números, mais curto o trajeto entre a estimativa e a realidade.